Tantas vezes te pedi
Que desças à terra
Do céu que te contém
Desculpa, desculpa, mea culpa
E da saudade de ti também
Que me corre nas veias
Como cavalos versos, poemas reversos
Que se escrevem, loucos, pelas sendas
Do meu ser, inteiro.
Desde que tu te foste e eu fiquei
Tive todo o tempo de aprender
Que nem eu nem ninguém pode na terra reter
Um anjo que ao céu se foi...
Nos meus sonhos, vejo-te lá morar
Vestida de nuvem, flutuar, voar
E, tantas vezes, vôo contigo
Num pedaço de tempo, precioso momento
De amor infinito
Mas sabes, Mãe
Tenho que te contar, que aqui, na terra
O tempo que passou
No canto dos meus olhos cavou
Sulcos profundos e os meus cabelos de ouro
Pouco a pouco, se cobriram de um imaculado sincelo...
No lugar da tua menina pequenina
Mora agora uma alma envelhecida
Sem saber se foi a vida que passou por mim
Ou eu que passei pela vida
Mas sabes, Mãe
Por dentro, aqui, bem no centro
Do que sou e sinto
Para todo o sempre chora
A menina orfã
Que ao partir deixaste
Ferida, sem ti, perdida!
