terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Da Terra ao Céu


 Mãe,

Tantas vezes te pedi

Que desças à terra

Do céu que te contém

Desculpa, desculpa, mea culpa

E da saudade de ti também

Que me corre nas veias 

Como cavalos versos, poemas reversos 

Que se escrevem, loucos, pelas sendas

Do meu ser, inteiro.

Desde que tu te foste e eu fiquei

Tive todo o tempo de aprender

Que nem eu nem ninguém pode na terra reter

Um anjo que ao céu se foi...

Nos meus sonhos, vejo-te lá morar

Vestida de nuvem, flutuar, voar

E, tantas vezes, vôo contigo 

Num pedaço de tempo, precioso momento

De amor infinito 

Mas sabes, Mãe 

Tenho que te contar, que aqui, na terra

O tempo que passou

No canto dos meus olhos cavou 

Sulcos profundos e os meus cabelos de ouro

Pouco a pouco, se cobriram de um imaculado sincelo...

No lugar da tua menina pequenina 

Mora agora uma alma envelhecida 

Sem saber se foi a vida que passou por mim

Ou eu que passei pela vida

Mas sabes, Mãe 

Por dentro, aqui, bem no centro 

Do que sou e sinto

Para todo o sempre chora

A menina orfã

Que ao partir deixaste

Ferida, sem ti, perdida!


(Carmen Cupido)