
(Silence Foto de Tiago Phelipe Olhares.com)
Um dedo teu de silêncio
Pousado nos meus lábios
Enjaulou estrelas cadentes
No céu das minhas tripas ao léu
E com a porta do ser encerrada
Já nada canta no decesso peito
Nem com nem sem jeito
Roubaste-me a poesia e o seu encanto
E o canto da lágrima, silenciada
Rasga a veia no recanto da alma
Tudo em mim se morre...
Murchas, as rosas deixam de ser, na minha boca
E as palavras são pássaros degolados
A cair aos molhos dos ramos ressequidos
Das árvores do mistério que afinal não o é
Afogo-me e não me acodes
No rio constelado dos segredos
Que de garganta aberta,
Se me verteu para dentro
Resta-me a voz dos olhos
Que dança ferida,
Perdida na voz do vento
Que se lamenta no meu lugar.
Resta-me esquecer o teu reflexo de astro brilhante
Sobre a minha sombra de mera humana
Resta-me trilhar a pé nú
A senda atulhada do Adeus
Onde à espreita, me espera
Um grito órfão de cão mal morto
Que não soube morder a pleno dente
O amor e a vida!
(Carmen Cupido)
[tantas a leituras do silêncio, tantas as construções que ele evoca: na palavra, recria-se.]
ResponderEliminarum imenso abraço,
Leonardo B.
Minha querida
ResponderEliminarUm belo poema, palavras sentidas.
Beijinhos
Sonhadora
Isto é apenas um devaneio. Um tempo que o próprio poema haverá de cegar e outro nascer!! Somos a gota que o oceano nunca poderá abandonar!!!
ResponderEliminarUm beijo
Olá Carmen,
ResponderEliminarGritos de silêncio...
Quando resta a voz dos olhos...
Bjs dos Alpes