
(Red Moon photo by mnoo)
Falar-te do que sinto
Perdeu o sentido
O silêncio derramou o fluido
Das palavras, seiva sangue escarlate
Punho que bate
À porta do teu ouvido
Quando o meu coração, sem norte
Vai à sorte; Perdido
Tu és
Um grito que vomito
Derradeira laje
Onde jaz
Minha última lágrima
Que em vão corre, porque a correr se morre
Nas mãos da evidência que o ventre não vê
Na orla do abismo
O coração já se me some
Sentado num eco
Que leva o teu nome
Para terras de ninguém
E as flores que em mim plantaste
Levantam a meia haste
Da semente infértil
E eu, assim desflorada
Tremo de nua
Tremo, vazia e calada
E quando o último sopro de ti se me apaga
Até a lua chora e me afaga!
(Carmen Cupido)