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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Avonde


(Foto de Maria Mcginley Photography)

Deixo-te crer
Que me possuis aos punhados...

Toada que entoo
Carme que de cor recito
Para enganar tolos!

Pensas que te pertenço
Mas o verso é inverso

Acerta a hora, ó crédulo
Remonta o pêndulo
Ouve alto, o que baixo penso

Avonde de vida
Bíbulo de morte
Sou Terra
E tu és quem?
Ninguém! Ninguém!

És carne da minha recolta
Que vai, mas o tempo é curto e logo volta
Nem que grites, esperneies de revolta

E com a saliva
Já a babar um Pai nosso
Te roerei osso a osso...

(Carmen Cupido)