
A palavra persiste e lavra
Traça a linha, é fundo o traço
Que cava, ninguém a trava
Entre a ponta e o ponto
Lá vai ela, desaperta o laço
Antes de arrombar a porta de aço
Onde escondo a minha alma
Água mole em pedra dura
Tanto bate até que fura...
Fura a eito, fura o peito
Pára, que dói!
Ai a palavra que mói
Por dentro quando não a enfrento
Cedo; Assusto o medo
E conto dedo a dedo
As vezes em que perco o ponto
Quando, tonto
Meu coração livre e destravado
Sobe, sobe, do ventre à poesia
Fala de ti, de ti fala e ninguém o cala
É uma língua que se desenrola
Que pica, atiça, belisca
Tanto, tanto, a boca tola
Que, inteiro, tu és isca
Caramelo que se me cola
Ao céu do meu poema...
Ai, Amor! Se não fosses tão doce!
(Carmen Cupido)