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sábado, 30 de abril de 2011

Vejo o cravo perder o jeito

























Ainda não o sei
Mas sem ti, vou morta
Para onde, nem sei
Quando tu te foste
E eu fiquei ; E eu fiquei… 


Olho, por dentro, o peito
E pouco a pouco, pouco a pouco
Vejo o cravo perder o jeito
De amar a chuva e o sol já rouco
Calar seus raios

Caio na escuridão
Que me ensina a engolir
Os caroços de negridão
Como pedaços de pão
Que me dão vida
À força!

Mas este pão não me sacia
Ando, de entranhas, vazia
E a luz já ténue e esguia
A minha alma desfia
Fio a fio, fio a fio

E até a minha boca
Se traja de silêncio
De tanto cuspir
Os gritos que gritei
Quando tu te foste

E eu fiquei ; E eu fiquei.

(Carmen Cupido)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Dama dos Cravos


(Liberdade Foto de Nessuno olhares.com)

Era o teu corpo, gigante ferida
Tua, mulher, nas mãos do horror, sofrida
Que ao fender a veia, ia pintar
Cor de sangue a gritar
Os cravos do teu terraço

E ai Deus!
Como eram belos e aprumados
Mulher, os teus cravos
Generosamente regados
Pelas águas que corriam nos dois valados
Fundos, cavados
Pela dor no teu rosto

E com tal beleza
No peitoril da tua casa
Tapavas com destreza
A fealdade dos dias
Em que a vilania assassinava a tua liberdade
E tu morrias,
Pouco a pouco a pouco

Nada parou a morte
De vir desprender, de um só corte
A corda que mantinha a tua asa presa
E tu partiste, minha dama dos cravos,
Voaste com leveza...

Foste com certeza
Fazer enrubescer o mesmíssimo céu!

(Carmen Cupido)