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terça-feira, 27 de abril de 2010

Diabo sem nome


(Foto de Paulo Madeira olhares.com)

Por detrás da porta fechada
Uma sombra pesava
E o terror era a poeira
Que ao soprar levantava
Uma nuvem negra que ria e troçava
E os seus pés de ferro
Faziam de mim o solo
Onde dançava

Era espectro ou fantasma;
Ou diabo sem nome
Punha na mesa a Ira
E depois ordenava: Come!

E eu apertava os dentes
E a boca encerrava
A minha fome era outra
A do pássaro que voava

Choviam mil punhos
Com lâminas de espada
A ferir a minha estrada

E os punhos eram cunhos
A empurrar-me contra o muro
E contra o muro voltados
Meus olhos revoltados,
Perdiam de vista
O futuro...

E eu retinha os sonhos
De unhas afincadas nos fios
E meus olhos eram rios
Leitos a desbordar, medonhos
Dos venenos que ele me dava

E eu vomitava; E eu vomitava...

(Carmen Cupido)