sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Ode para almas cansadas


Com uma luz ténue
Se me declina o ser
Morosamente
Apagando-me vou
Caindo numa dor
Que nem sei de onde vem
Preciso de algo, de alguém
E, ao mesmo de tempo, 
De nada e de ninguém...

Mil tormentos
Rodam sobre mim
São como ventos a ganir
Num ulo doentio
E nada nem ninguém
Lhe corta o pio...

Gira no ar
Uma aragem 
álgido-transluzente
E a minha alma cansada
Vê-se rosa orvalhada
Em noites 
Onde a geada 
Enregela a terra 
Que me quer derrubada...

Porém,
Dentre as neblinas do inverno
Entreouço ainda o astro sempiterno
A quebrar o gelo doloroso
Com seu chamamento caloroso...

Pela mão
Me vem buscar
Grávido da esperança
Que me quer sarar
E eu, por fim
Serena como o mar
Num fim de tarde
Onde o sol 
O vem beijar!

(Carmen Cupido)

 

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