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terça-feira, 26 de setembro de 2023

Madrigal Inflamado


Madrigal inflamado

De tulipas que flamejam

Em seu santuário matizado

Vejo-as ondular ao vento

E cada movimento

É uma pausa semibreve

Do meu sopro leve

Suspiro suspenso

Que engulo para dentro…

 

É tal a embriaguez de cores

A salpicar o vale e a fazer dele

Um palco enrubescido

Onde a brisa e as flores

Num impulso incendido

Arfantes se enlaçam

e o Uno que formam se lança

Num fascinante, quase provocante

Pé de dança

Ao som do espanto

Que o puro encanto

Semeia nos meus olhos!

 

(Carmen Cupido)


 

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Num Sopro de Criança


Num sopro

Assopra a criança

A esperança

Que o sol se retarde

Naquele fim de tarde

Em que no seu alarde

Se despede o verão

Altivamente montado

Na garupa de um dente-de-leão

 

À declinação ele ruma

E agora que chegou a outonal bruma

para embaciar a madrugada

Ele é apenas um fino filamento

Engolindo o ressentimento

De não mais ser flava flor

A iluminar com seu esplendor

A fulgente alvorada

 

Sobe ao colo do vento

Rumo ao convento

Das estações findadas

Vai num sopro de criança

Afincado à esperança

De poder regressar

Da vagarosa vereda

Movimento terrestre

Pelo reino celeste!


(Carmen Cupido)

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Centauros de Papel


Na manga do meu ventre
Um trunfo de poesia

Um amar-te mais alto
Flutuando no mastro
Do sentir ao infinito

Um sopro de vento
Suave e atento
Que te traz no bico

A saudade traduzida
Na ponte suspendida
Que vê o presente
Levar o passado a sonhar o futuro

O Mundo
(porque é o que tu és)
Guardado no bolso sem fundo
Das galáxias da alma

Centauros de papel
Para invadir o espaço, a pele
Do verso em branco lauto de ti!

(Carmen Cupido)
(poema publicado a 20 de Novembro de 2008
no meu blog wordpress "A Folha - A Poesia da Simplicidade)