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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Multidão


(Multidão de Pedro Charters de Azevedo)

Paro.

Desligo o autómato que trepou
Nos últimos grãos de vontade
Que ousaram germinar entre os rasgões
Da minha alma.

Penso.

Reanimo a Anima
O ser embrionário do Eu
Que se enfezou no ir com a corrente.

Elevo-me.

Mais alto do que a massa uniforme
Abandono o trilho da Maria vai com os outros
Respondo ao apelo urgente de não ser igual
Ser diferente.

Que se incendeie esta mata disforme
Onde corpos sonâmbulos, ocos, deambulam
E renascerei, de entre as cinzas e escombros

ÚNICO!

(Carmen Cupido)