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terça-feira, 10 de maio de 2022

A Hora Suspendida



Há

Nos meus dedos

Sonhos e segredos a fluir

E espátulas a esculpir

Sóis, luas e estrelas

No alto da minha tela

 

E a cada vez

Pressinto que o céu

Rasga o seu véu

Espargindo cores

Aclamando amores

E talvez ninando dores

No berço que eu lhes dou

 

Vejo mundos variados

Alçar-se de fundos esmaiados

E dentre os fios entretecidos

Do algodão cru imaculado

Seres inertes, inanimados

Correm fruir da vida

Na hora suspendida

Em que lhes sinto o coração

Pulsar na cova da minha mão

 

Tudo isto me vem não sei de onde

Nem sei em que lugar de mim se esconde

Eu não sou nada nem ninguém

Apenas o instrumento de passagem

Entre uma e a outra margem!

 

(Carmen Cupido)


 

domingo, 23 de janeiro de 2022

Poesia triste, tristemente declamada...

 


Alentam-me os teus olhos,

Como dois sóis, eu sei

No alto do céu da minha alma,

Quando pousam sobre mim

Com a doçura e a calma

Do rouxinol que apruma

Seu pipilo e suas plumas

Encantando-me com o seu canto

Que me chama à primavera

Que me chama à liberdade

Quando me vê trancada

No fundo da gaiola

Por Motu Próprio

Enjaulada

A orquestrar poesia triste

Tristemente declamada…

 

Mas como desprender

Tão ressequidas asas

E ao alto aspirar

Refrear o medo, dominar o ar

Descolar...

Das profundezas escabrosas

Do longo inverno; do longo inferno

Que me detém; que me retém?

 

(Carmen Cupido)