Mostrar mensagens com a etiqueta Aurora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aurora. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Papoila Louca em Bailado Imprudente


Este é um amor em desamor
Tão presente na dor
De tanto querer quem mal me quer...

Amor quieto de sentimento profundo
A verter solidão no meu mundo

Clamor ferido que se agita
Grito estridente que ressuscita
Amor perfeito que nunca foi

Musa magoada cantando lamentos
Elevando aos céus o eco dos meus tormentos

Vazio encorpado de um alguém ausente
Mas sempre, sempre, premente
E eu, papoila louca em bailado imprudente

Fantasma que me fervilha nas veias
E quase com gozo, com toda a calma
Me assalta incessantemente a alma

Impiedoso, a sua fúria urgente
Queima, de tão incandescente

E eu, aferrada ao sonho, como outrora
Sigo nua, ingénua e acolhedora
Entre os raios ténues de cada aurora

E ele, que se importa? Se quando abre a porta
Me lança um desdém lancinante
Que amolado corta
O silêncio sufocante

Rugido sibilante de água dura
Que de tanto bater, fura
O meu coração ferido

E eu, a leda, a desamada, a sentir-me desacreditada
Quando enfim os seus olhos se pousam sobre mim, prolongados
Como se fossem lábios a beijar-me, entregados.

(Carmen Cupido)



 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Tremente Papoila









































(Papoilas Red de NãoSouEuéaOutra Fotografia)

Era eu ainda de noite feita
Nas horas em que o corpo se deita
Mas a alma, sem fé, não dorme, fica de pé
E a sombra espreita; E a sombra espreita

Não sei se no sono, se na folia
Sabes Amor, sonhei-te em mim
E que o sol já bulia...

Buliu tanto e rebuliu que tal rebuliço
Ressuscitou a tremente papoila
Que bailou, espampanante, doida,
Em meu ventre de moçoila

Ai, Amor, toda eu tremia:
Não sei se de calor, se de frio
Se de amor, se de cio...

Vi-me correr, das tripas à aorta; Em devota oração absorta
Ir rogar à minha boca, antes muda e morta
Agora vívida e escarlate; Que enfim se dilate
Na hora em que a rúbida aurora no meu peito embate

Apressei-me então e de, par em par, fui abrir as janelas do meu ser
Para acolher a madrugada mas não sei se foi sonho ou obra de fada
Olhei-me para dentro e eras tu Amor, em mim a florescer...

(Carmen Cupido)