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domingo, 16 de maio de 2021

O Rugido da Papoila



Não me quero mero adorno de vaso

Ou ornamento delicado em cerceado jardim

Quero ser tudo o que sou e o que sei de mim

Liberdade do Eu em contínuo extravaso

 

Não me quero rosa bela e aveludada

Quero-me antes papoila livre e arrojada

Cor escarlate ao vento ondulante

A inflamar o horizonte com o rugido gritante

De uma Leoa feroz quando instigada

 

Papoila bravia que não se deixa cativar

Ser que não nasceu para se deixar murar

Ornato fútil num qualquer vaso ou jardim

Quero ser tudo o que sou e o que sei de mim!

 

(Carmen Cupido)


 

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Rosa Adormecida



Porquê insistes, amor ausente
Em bater-me no peito
Com o movimento rítmico
Das ondas do mar a quebrar
Nesta praia vazia que me sou

Porquê se te me insinuas
Como a papoila acarminada
Aos olhos de quem passa
Em dança frenética e ondulada
Entre as espigas douradas

Os teus olhos cor de pinheiral
Aferram-se, altivos e acirrados
À minha alma intranquila e nem sequer dobram
Sob o vento que ferozmente sopra

Na minha boca repousa
Um eco estridente da tua voz longínqua
De pássaro emigrado para longe; longe das minhas horas invernais

E deixaste-me assim, rosa adormecida
Nos mais remotos confins do teu jardim
Sob um gélido rocio, esquecida

Orvalho feito de todas as lágrimas que chorei à tua partida.

(Carmen Cupido)

       

sexta-feira, 2 de março de 2012

Tremente Papoila









































(Papoilas Red de NãoSouEuéaOutra Fotografia)

Era eu ainda de noite feita
Nas horas em que o corpo se deita
Mas a alma, sem fé, não dorme, fica de pé
E a sombra espreita; E a sombra espreita

Não sei se no sono, se na folia
Sabes Amor, sonhei-te em mim
E que o sol já bulia...

Buliu tanto e rebuliu que tal rebuliço
Ressuscitou a tremente papoila
Que bailou, espampanante, doida,
Em meu ventre de moçoila

Ai, Amor, toda eu tremia:
Não sei se de calor, se de frio
Se de amor, se de cio...

Vi-me correr, das tripas à aorta; Em devota oração absorta
Ir rogar à minha boca, antes muda e morta
Agora vívida e escarlate; Que enfim se dilate
Na hora em que a rúbida aurora no meu peito embate

Apressei-me então e de, par em par, fui abrir as janelas do meu ser
Para acolher a madrugada mas não sei se foi sonho ou obra de fada
Olhei-me para dentro e eras tu Amor, em mim a florescer...

(Carmen Cupido)