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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Fruto Maduro


O tempo poderá vir
Cavar os seus sulcos
Na minha fronte

Soprar aos quatro cantos
Do que sou
Todo o furor do mundo

As mil chuvas
Da vida poderão
Escolher-me por alvo

Mas que importa
O que o tempo gravará
Na minha pele, à sua passagem

Com um dedo apaziguante
Saberei acariciar as feridas
Como uma Mãe acaricia os cabelos de um filho

O Silêncio
Em grande Mestre sábio
Me cantará canções de Ninar
Do alto da sua voz dócil

O meu coração
Se despojará então
De todos os pesos inúteis

E quando chegará o dia
Onde o meu tempo cairá por terra
Como um fruto maduro

A morte me encontrará então
No subtil equilíbrio
De uma existência tranquila.

(Carmen Cupido)
(Tradução/Adaptação do poema "Fruit Mûr"
 in Le Silence est un mot comme un autre)

sábado, 27 de agosto de 2016

Dorme, Santo, o Pequenino





Silêncio,
Que o crepúsculo
Vai cantar
Uma canção de ninar
Ao Sol menino
 Adormece o pequenino
No colo da noite
Cor de basalto
E logo, lá no alto
O céu dourado
Tão de ternura, corado
De olhar pregado
Na cena imaculada
Apaga a luz
E acende as estrelas...

E não é que,
No sonho do menino,
(dorme, santo, o pequenino)
Jorram de um flautim
As promessas de cetim

De todas as auroras que hão-de vir !

(Carmen Cupido)