quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A luz que eu lhes dou


(Foto de Montalbetti&Campbell, Rick Moody Author of the Black Veil
Enternainement Weekly Magazine)

Cala-se-me o sorriso,
Pouco a pouco, eu sei
Nos lábios dos olhos
Que trinco
Para que a boca não chore
Óvulos de lágrimas
Que descem os degraus
Que separam os ovários da poetisa
Do útero que ansia o embrião poema

Vergo,
Um dos meus joelhos já toca terra
Sob o peso que cada dia mais me enterra
Braçado de corpos e vidas que carrego aos ombros

Porque me senti derrear
Com tantos pedaços de outros que trago em cima de mim
Subtraí o meu próprio peso que se fez sombra
Porque sombras não pesam e só se vêem
Quando chega o sol...

Mas já que o sol não chega
(Deserdar os outros de mim não podia!)
Pensei descoser-me do que sou, rebentar-me pelas costuras
E das tripas do amor fazer cordeis de luz

Pendurei os cordeis, juro que nem um guardei
Ao longo da estrada dos que vivem por mim
A vida que eu não vivo
Mas eles nem conta deram que me abandonei lá fora
Para caminhar com eles às costas,
Mas sem ninguém dentro de mim

Cala-se-me o sorriso
Pouco a pouco, eu sei
Nos lábios dos olhos...
Doi-me na carne esta dor
De carregar tantas bocas penduradas
Nos mamilos do que me sou
Sugando sôfregos, toda a luz que eu lhes dou
E eu, já nas goelas do véu negro das trevas...

(Carmen Cupido)

6 comentários:

  1. Encantada ao ler tanto sentimento.
    Parabéns Carmen!

    Bjs dos "nossos" Alpes...

    ResponderEliminar
  2. Um poemas repleto de sentires, como costumo de dizer. Parabéns!
    Um beijo
    Chris

    ResponderEliminar
  3. Excelente!
    Começo já o dia...
    Com teu verso!
    Que me fez pensar!

    Um abraço!

    ResponderEliminar
  4. Carregamos tanto na vida que por vezes não temos força para carregar sequer o nosso olhar
    boa noite

    ResponderEliminar
  5. Carmen
    Maravilhoso seu poema, muito sentimento nas suas palavras.

    Pendurei os cordeis, juro que nem um guardei
    Ao longo da estrada dos que vivem por mim
    A vida que eu não vivo
    Mas eles nem conta deram que me abandonei lá fora
    Para caminhar com eles às costas,
    Mas sem ninguém dentro de mim

    Como me fala à alma.

    Beijinhos
    Sonhadora

    ResponderEliminar
  6. Carmen,

    Gostei bastante do que li!

    Parabéns pelo espaço!

    Abraços,
    Lou

    ResponderEliminar