domingo, 7 de fevereiro de 2010

Maria é


(Foto de Maria Flores olhares.com)

Maria é Grande.
Porque guarda dentro do que é,
Todos os tamanhos do ser que já foi.
E a memória do sangue que perdeu,
Das lágrimas que lambeu,
Também!

Maria é Mulher.
Mas quando a tempestade vem,
Faz-se homem forte, de pé
E nem no núcleo do furacão estremece, perde a fé
Porque sua Mãe, mulher também, lhe ensinou
A subir à garupa do vento para lhe puxar as rédeas!

Maria é Corpo.
É carne, sangue, sombra, pecado;
É matéria, escuro, ventre, sagrado
Deusa consagrada, Virgem Mãe imaculada
E prostituta também
Quando o sexo desabafa tempos feridos
Procurando esquecimento nos prazeres consumidos!

Maria é Pilar.
Mas seus muros são feitos de braços quentes
Do seu colo que é lar
Ela é laço de mil pontas que ninguém retém
Ponte para mais além
Mar de amar o amor que sabe de cor
Como silenciar a dor!

Maria é Árvore.
E atravessa as estações
Com as bocas dos filhos aferrados aos seus seios
Que são ramos carregados de fruta do amor, elixir de Mãe
E o seu regaço, tronco de aço, que sustém
O peso do mundo!

Maria é Essência.
Imprimida na alma, traz a ciência
De respirar as coisas simples
E quando se põe a olhar para a vida
É como se fosse Deus a espreitar lá do alto!

(Carmen Cupido)

3 comentários:

  1. Maria...
    Parabéns Carmen, bonito poema.
    ...
    Bjs dos Alpes...
    Com votos de uma boa semana!

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  2. Poema forte, muito tocante.

    "Maria é Grande.
    Porque guarda dentro do que é,
    Todos os tamanhos do ser que já foi.
    E a memória do sangue que perdeu,
    Das lágrimas que lambeu,
    Também!"

    Maravilha, Carmem!

    Palavras sobre palavras; palavras sob palavras; palavras entre palavras... Maravilha, Carmem!
    Você escreve divinamente. Obrigada por me trazer ao Na Matriz da Palavra.

    Bjs e inté!

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