Mostrar mensagens com a etiqueta Essência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Essência. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Auto-Portrait


Nas minhas mãos 
A essência fresca das cores corre...
Levar aos meus olhos mundos quiméricos
Com sóis de fins de tarde fantasiosa
A pousar sobre mim 
Com seu toque de asa esplendorosa

O tempo pára 
E o instante é um mistério desvendado
A dar vida a universos insuspeitos
Onde não há futuro nem passado,
Só um agora de comprazimento
A reclamar o mínimo milímetro
De todo o seu comprimento


Palavras não há, só o silêncio
Distraído demais para se sentir só...

Nas minhas mãos
A essência das cores corre...
Vai apressada, lá vai ela
Pintar céus policromáticos
No alto da minha tela!

(Carmen Cupido)

 

domingo, 2 de maio de 2021

Vida...



Vida…

 

Louca, pulsa na veia

Centelha que encandeia

O negro vazio da inexistência

Insuflando-lhe essência

 

As primeiras rajadas de ar respiradas

Irrompem então no meu peito

Fazendo de mim um leito

De promessas inspiradas

 

Logo em mim latem

Possibilidades infinitas

Que à minha porta batem

Com mil histórias inauditas

 

Abri de leve e por um momento

Meu inteiro ser entrevira

Entre duas braçadas de vento

O delicioso sol de Primavera

 

Haverá, pois, muito sol e haverá flores

Haverá sonhos e amores

Muitos risos e abraços

Cores e muitos laços

 

Mas, mais além

Os longos invernos

Os escaldantes infernos

Os dias em que chorarei

Os dias em que sangrarei

Estarão lá, também

 

Serei, tantas vezes, um passarinho triste

Uma Alma cansada que desiste

Em vez de néctar, serei fel

Nos dias amargos, sem mel

 

Mas tudo isso é a vida

Ora murcha, ora florida

Os espinhos pertencem à rosa

Ora bela, ora dolorosa!

 

(Carmen Cupido)

domingo, 15 de janeiro de 2012

A vida não é um rio tranquilo



De nada vale o atavio
Que se lhe dá ao nosso rio
Se a vida, algoz
De tanto atafulhar a foz
Vai rebentar a inocência
Fustigar a essência
Das águas que passam por nós

E...
Pode o corpo espasmar
Pode a alma berrar
Pode o pulso chagar
Que não há mão a cerzir que valha

Viver no desamor é mesmo assim
Doer,  num dói sem fim
Abafar o Ai, mal que ele sai
Levantar, mal que se cai

É caminhar sozinho
Ir morto  vivo no caminho
E ainda assim sorrir por fora
Ignorar os queixumes da hora

Ao coração doente, silenciosamente
Remendar os cantos; e os pontos serão tantos
Para salvar o Amor que por lá anda a flutuar
Ai Deus, se tardas mais um segundo
Sinto que me afogo, me afundo!

(Carmen Cupido)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Maria é



(Foto de Maria Flores olhares.com)

Maria é Grande.
Porque guarda dentro do que é,
Todos os tamanhos do ser que já foi.
E a memória do sangue que perdeu,
Das lágrimas que lambeu,
Também!

Maria é Mulher.
Mas quando a tempestade vem,
Faz-se homem forte, de pé
E nem no núcleo do furacão estremece, perde a fé
Porque sua Mãe, mulher também, lhe ensinou
A subir à garupa do vento para lhe puxar as rédeas!

Maria é Corpo.
É carne, sangue, sombra, pecado;
É matéria, escuro, ventre, sagrado
Deusa consagrada, Virgem Mãe imaculada
E prostituta também
Quando o sexo desabafa tempos feridos
Procurando esquecimento nos prazeres consumidos!

Maria é Pilar.
Mas seus muros são feitos de braços quentes
Do seu colo que é lar
Ela é laço de mil pontas que ninguém retém
Ponte para mais além
Mar de amar o amor que sabe de cor
Como silenciar a dor!

Maria é Árvore.
E atravessa as estações
Com as bocas dos filhos aferrados aos seus seios
Que são ramos carregados de fruta do amor, elixir de Mãe
E o seu regaço, tronco de aço, que sustém
O peso do mundo!

Maria é Essência.
Imprimida na alma, traz a ciência
De respirar as coisas simples
E quando se põe a olhar para a vida
É como se fosse Deus a espreitar lá do alto!

(Carmen Cupido)