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domingo, 30 de agosto de 2020

A Bênção


Do alto
Da minha descrença
Ergo aos céus
As minhas pálpebras doridas
E assim
Atravesso eu a vida
Sem nunca vislumbrar
As oferendas
Recebidas

Parece-me padecer
De uma lei suprema
Que me deu sofrida
À luz do mundo
Com todas as maldições
Do universo
A recair sobre mim
E sem nunca aprender
A torcer o pescoço
À força implacável
Deste meu Fado

Serei eu
Um fruto esconjurado
Por uma cruenta praga
Que o diabo bafejou
Aos quatro cantos
Do que sou?

Serão
A adversidade
E o sofrimento
A superior natureza
Do ser e da vida
A única maneira
De crescer
Em valor
E em sabedoria?

Rogo
Para que a desfortuna
Que avisto
Efeito ou talvez não
 Da desilusão
Que me rói por dentro
Não encerre
 Meus olhos
De pobre mortal
Na cegueira
De não saber
Ver a bênção
Que recebi
No preciso segundo
Em que nasci…

A VIDA!

(Carmen Cupido)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Meia Benção, Meia Praga

















És …

Meia Benção, meia Praga
Meia Carícia, meia Chaga
Coágulos dos meus gritos
Que berram agudos, aflitos...
Ai, que ensurdeço por dentro!

És...

Meio Ferro, meio Veludo
Meio Nada, meio Tudo
A palavra que me é dita
No silêncio que me habita...
Ai, o terremoto nas minhas entranhas!

És...

Meia Sede, meia Fonte
Meio Abismo, meia Ponte
Um pé na distância
E o outro pisoteando a ânsia...
Ai, a hera que me trepa o coração!

És...

Meio Tarde, meio Cedo
Meio Belo, meio Ledo
A noite que se apressa
Na madrugada cheia de pressa...
Ai, e ainda assim, o sol em mim, não desponta!

És...

Meia Prisão, meio Mar vastidão
Meia Dor, meia vermelha Flor
Às vezes ardente, cálida
Às vezes doente, pálida...
Ai, a raíz bebâda de riso e de lágrimas!

És...

Meia Vida, meia Morte
Meio Azar, meia Sorte
E persegue-me o desespero
Porque por não te querer
Ai, Amor! Tanto te quero!

(Carmen Cupido)